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José Graziano: do Fome Zero à direção da FAO

  • AAFIB
  • 5 de ago.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de ago.

Série: Minha História nas Nações Unidas

Agosto / 2026


Renato Araújo/ABr, CC BY 3.0 BR, via Wikimedia Commons
Renato Araújo/ABr, CC BY 3.0 BR, via Wikimedia Commons

A trajetória do agrônomo e professor José Graziano da Silva combina a formulação de políticas públicas no Brasil com a atuação em organismos multilaterais. Diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) entre 2012 e 2019, ele levou para a agência experiências acumuladas no combate à fome, no apoio à agricultura familiar e na promoção da segurança alimentar.


Graduado em Agronomia e mestre em Economia e Sociologia Rural pela Universidade de São Paulo (USP), Graziano fez doutorado em Ciências Econômicas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Também realizou estudos de pós-doutorado na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, e no University College London.


Sua carreira acadêmica esteve ligada principalmente à Unicamp, onde foi professor do Instituto de Economia por mais de três décadas. Em 2024, recebeu da universidade o título de professor emérito.


A projeção nacional de Graziano cresceu com o programa Fome Zero. Ele coordenou a formulação da proposta em 2001, antes da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, e participou de sua implantação a partir de 2003, quando assumiu o Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome.


O programa articulava diferentes medidas, como transferência de renda, alimentação escolar, fortalecimento da agricultura familiar, construção de sistemas locais de segurança alimentar e ampliação do acesso da população pobre à alimentação. Parte dessas iniciativas seria incorporada posteriormente a outras políticas sociais do governo federal.


Em 2006, Graziano ingressou formalmente na FAO como subdiretor-geral e representante regional para a América Latina e o Caribe. Nesse cargo, participou da Iniciativa América Latina e Caribe Sem Fome, criada para apoiar os países da região na erradicação da fome e no fortalecimento de políticas de segurança alimentar.


Eleito diretor-geral da FAO em 2011, assumiu o cargo em janeiro de 2012. Foi reeleito em 2015 para um segundo mandato, encerrado em 2019.


Descentralização da FAO

À frente da Organização, Graziano reforçou uma abordagem segundo a qual o combate à fome não depende apenas do aumento da produção agrícola. O acesso econômico aos alimentos, a desigualdade, a pobreza, a qualidade da alimentação e o funcionamento dos sistemas alimentares também passaram a ocupar espaço central nas ações da agência.


Sua gestão deu maior destaque à agricultura familiar, à nutrição, à sustentabilidade ambiental, à agroecologia e à adaptação da produção agrícola às mudanças climáticas. Também ampliou programas de Cooperação Sul-Sul, voltados para o intercâmbio de tecnologias, conhecimentos e políticas públicas entre países da América Latina, África e Ásia.


No campo administrativo, Graziano aprofundou o processo de descentralização da FAO, que já vinha sendo desenvolvido por gestões anteriores, fortalecendo escritórios regionais e nacionais e ampliando a presença técnica da organização fora de sua sede, em Roma.


Durante seus mandatos, a FAO teve participação importante na elaboração e, principalmente, na implementação da Agenda 2030 das Nações Unidas. A organização tornou-se uma das principais referências internacionais para o acompanhamento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2, que prevê acabar com a fome, melhorar a nutrição e promover uma agricultura sustentável.


Graziano também apoiou a criação da Década das Nações Unidas para a Agricultura Familiar, aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 2017 e lançada oficialmente em 2019 pela FAO e pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola.


Ao deixar a FAO, em 2019, concluiu um período de 13 anos de trabalho no sistema das Nações Unidas. De volta ao Brasil, participou da criação do Instituto Fome Zero, do qual é diretor-geral. A instituição acompanha políticas públicas, produz análises e defende a retomada de estratégias permanentes de combate à fome e à insegurança alimentar.



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